sábado, dezembro 03, 2005

ARTIMANHAS POLITICAS PARA ESCAPAR DA COMUNICAO SOCIAL


Muitos meses antes de criar, em Novembro de 1994, o tabu quanto à sua sucessão, Cavaco Silva quis remodelar a sua casa em Lisboa. Antes de deixar a residência oficial de S.Bento. Talvez porque já soubesse que queria deixar S.Bento...

PERGUNTA 1
SABIA que o casal Cavaco Silva poderá não ter pago, na altura, todo o IVA dessa empreitada?


Orçamento inicial…………………3.552.881$00
Total (Com IVA)………………….4.121.342$00
Já pago…………………………….2.500.000$00
= Total em dívida..………………..1.161.342$00

Trabalhos a mais (Sem IVA)……..2.168.856$00

PERGUNTA2:
Sabia que a Procuradoria Geral da República abriu, a 10 de Janeiro de 1995, um inquérito à empresa que fez obras na casa de Cavaco Silva?

O processo foi levantado com base na denúncia da contabilista da empresa, que acusou os administradores de fraude fiscal... E Cavaco Silva iria ser obrigatoriamente ouvido no âmbito desse processo por ter pago serviços sem pagamento de IVA...

PERGUNTA 3:
Sabia que, precisamente, dias antes da Procuradoria Geral da República ter aberto o inquérito à empresa e antes que tudo fosse noticiado, o então primeiro-ministro entregou no Parlamento uma carta denunciando que a comunicação social estava a invadir a a sua vida privada?
Repita-se: que a comunicação social estava a invadir a sua vida privada...



Entre os documentos anexos, estavam cartas trocadas entre Cavaco e o director do "Expresso" sobre uma investigacao jornalística ao comportamento fiscal do primeiro-ministro.

O assessor de imprensa de Cavaco Silva contactou diversos jornalistas para lhes dar a conhecer da iniciativa. Na noite desse dia, a Lusa já dava conta das “queixas” do primeiro-ministro.

A iniciativa provocou um escarcéu tal que mais nenhum jornalista se preocupou com mais nada...
Na manhã do outro dia, os jornais publicaram as notícias.

TSF SERVIU DE MOTE PARA O CARROCEL
A história foi contada tendo o primeiro-ministro como sujeito de todas as notícias. Cavaco Silva era sempre colocado como vítima e como vingador. Era um cidadão que apenas queria realizar as obras em sua casa e que fora vítima de uma investigação além dos limites do aceitável.

“A origem deste caso conta-se em poucas palavras”, escrevia-se no jornal “Público” ([1]). “Desde 1993 que o casal Cavaco Silva decidiu fazer obras na residência de três quartos e sala que desde há 27 anos ocupa na zona lisboeta de Campo de Ourique”. “Cavaco está farto das investigações jornalísticas à sua vida privada”, era o título no jornal “Diário de Notícias” ([2]). “Cavaco contra a investigação em obras particulares. Director do Expresso garante ‘comportamento exemplar’ “, sublinhava o jornal “A Capital” ([3]). O director do jornal “Expresso” considerou que “a questão estava a ser colocada ao contrário”, mas não desenvolveu muito o tema. “O grave disto tudo não é a investigação, mas a publicação de notícias que não foram cabalmente investigadas”, afirmou na altura José António Saraiva ouvido por outros jornalistas.

A TSF chamou o assunto para primeiro tema do noticiário.

Às oito horas da manhã, a voz nervosa de Francisco Sena Santos:
“Uma pesquisa do Expresso sobre as obras na casa particular de Cavaco Silva deixa o primeiro-ministro indignado com métodos que considera intoleráveis de investigação jornalística”, começou o jornalista. “Cavaco pede ao Parlamento uma reflexão ampla sobre a privacidade das famílias de agentes políticos”. Sena Santos faz um resumo da carta “a que a TSF teve acesso”. E depois disso, passa a palavra para o jornalista que vai descrever os acontecimentos: “Uma carta motivada por uma investigação que não resultou – pelo menos até agora – em qualquer reportagem publicada. Vamos lá conferir, João Almeida, o que é que está na origem deste caso”.

COMENTADORES AO LADO DA QUESTAO:
O debate continuou. A jornalista Diana Andringa é interpelada para comentar o caso. “Será que há alguma ultrapassagem de métodos jornalísticos aceitáveis neste caso?”, pergunta-lhe Sena Santos. A mesma notícia é repegada às oito e meia. E às nove horas. Tudo no mesmo tom.

O QUE DISSE O PROFESSOR MARCELO SOBRE O CASO:
Os vários comentadores voltaram ao assunto: era lícito indagar-se sobre a vida privada dos políticos? O “flashback” da TSF, com Pacheco Pereira, José Magalhães e Lobo Xavier, retomou a discussão.
Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de prolixamente analisar o caso:
Primeiro, mesmo que o caso não tivesse sido um atentado à privacidade, porque fora da vontade de Cavaco Silva divulgar o que o jornal não publicara, haveria sempre de averiguar se o jornalista usara abusivamente métodos abusivos de investigação. Mas, em tribunal, seria a palavra de um contra a palavra de outro. Depois, mesmo defendendo que os políticos devem aceitar uma quebra de privacidade, “pequenas obras, em si mesmas, a meu ver, não justificam o interesse público”. Mas admite que não estão abrangidas pelas regras da privacidade, “o respeito pelas leis de licenciamento – se ele cumpriu ou não as licenças camarárias e se ele respeitou ou não a lei fiscal, por exemplo”. “Se se provasse que um político, ele próprio – não é o empreiteiro que lhe fez a obra e que, depois, noutras operações, completamente diferentes, faz sobre ou subfacturações – naquela obra, consegue proteger a fuga ao fisco, através de esquemas de pagamento que representam que o empreiteiro não vai declarar para impostos aquilo que recebeu, então isso fica muito mal... seja deputado, primeiro-ministro...”. “Mais interessante, a meu ver, é a questão política...”, continuava Marcelo Rebelo de Sousa. “Porque é que o doutor Cavaco Silva fez o que fez?”. Sublinha que o que o Cavaco Silva fez não está previsto na Constituição, não houve nenhum debate em Conselho de Ministros. Não foi à Alta Autoridade para a Comunicação Social ou à Procuradoria Geral da República. “O primeiro-ministro quer, mais uma vez, capitalizar politicamente, mobilizar a opinião pública, que está, em certa medida, um pouco alérgica ao que considera alguns excessos jornalísticos. E na sequência do sentimento de orfandade criado por esta dúvida sobre se fica ou se vai, teria agora mais um elemento... um elemento adicional para mobilizar a opinião pública. Seria este: a simpatia que indubitavelmente se gerou, nos dias subsequentes, no chamado povo de direita ou do centro que se uniu maciçavamente em torno do doutor Cavaco Silva (...). Eu não tenho esta interpretação (...) a minha leitura é outra. Trata-se de um gesto pessoal de uma pessoa que diz: Basta! Chegou! Estou saturado! Assim não. Assim não jogo...”(
[4]).

Mas seria mesmo isso?

PERGUNTA 4:
Sabia que, muitos anos mais tarde, em 2004, o próprio Cavaco Silva admitiu no seu livro de memórias que a questão era outra?

“O episódio jornalístico que mais me indignou ocorreu em Novembro de 1994” e foi precisamente este caso da investigação do jornal “Expresso”. “Fiquei de tal modo chocado com este episódio”, escreve Cavaco Silva, “que, ao saber que as obras feitas na minha residência particular tinham sido objecto de uma denúncia na Procuradoria-Geral da República e estavam a ser investigadas, decidi dar conhecimento desse facto por escrito ao presidente da Assembleia da República e aos presidentes dos grupos parlamentares. Eu sabia que a minha mulher, que tinha acompanhado o andamento das obras, não podia ter feito nada de ilegal” ([5]).

Afinal, Cavaco Silva admite no seu livro que essa iniciativa junto do Parlamento foi desencadeada porque a PGR ia começar a investigar a sua vida fiscal e que isso era inadmissível para ele. Não se tratava da comunicação social... Era tudo mentira, aquilo que escreveu na carta ao Parlamento...

E mais disse Cavaco Silva:


“Depois de uma troca de impressões com o ministro Fernando Nogueira, achei que devia aproveitar este caso pessoal para suscitar aos representantes eleitos do povo português uma reflexão sobre a dimensão e amplitude da esfera da privacidade dos agentes políticos, uma questão que me parecia relevante para a qualidade da nossa democracia”, conta no seu livro de Memórias.


E se Cavaco Silva e Fernando Nogueira bem o pensaram, melhor o fizeram. Criou-se um episódio mediático em torno dos limites de investigação por parte da comunicação social.

No dia 6 de Janeiro de 1994, quando deu oficialmente entrada na Procuradoria-Geral a queixa contra a firma que fizera as obras na sua casa, apresentada pela contabilista da empresa, referindo eventuais ilegalidades praticadas pelo primeiro-ministro, o que a comunicação social reproduziu foi, antes, a carta de Cavaco Silva queixando-se de estar a ser perseguido pelos jornalistas.

Mas há um mistério:
Estranhamente nunca ninguém lhe perguntou – nem Cavaco Silva esclarece - como foi que o então primeiro-ministro soube dessa investigação da PGR, já que foi oficialmente entregue a 6 de Janeiro de 1995 e aberto o inquérito a 10 de Janeiro, quando a sua carta foi enviada ao Parlamento dias antes...

Fica o mistério para o candidato responder...

PERGUNTA 5:
SABIA que nesta artimanha política, nessa mentira encenada por Cavaco Silva, nesse circo montado pelo “técnico” Cavaco Silva, o então primeiro-ministro não se importou de caluniar um jornalista, afirmando que este se tinha feito passar por agente da Polícia Judiciária?

PERGUNTA 6:
E sabia que este jornalista processou o primeiro-ministro por calúnia?

PERGUNTA 7:
Sabia que, face às invectivas da PGR para que fosse remetida – como meio de prova - a carta de Cavaco Silva ao Parlamento, o certo é que dois presidentes do Parlamento não ligaram importância?


Sim, dois presidentes do Parlamento, um social-democrata e outro socialista.
Primeiro foi o social-mocrata Barbosa de Melo e depois, já quase no final do prazo de prescrição do processo, o socialista Almeida Santos lá enviou a carta do ex-primeiro-ministro, mesmo no final do prazo de prescrição do procedimento criminal...

Porque se recusou o presidente do Parlamento?
“Eu pertencia a um orgão de soberania e tinha o dever de zelar por esse orgão de soberania”, explicou Barbosa de Melo já em 3 de Março de 1999. A carta fora-lhe endereçada pelo primeiro-ministro com indicação de a dar a conhecer à comissão de líderes parlamentares. Mais tarde, a comissão decidiu que “não era de entregar a carta por não ser necessária ao processo”. “O corpo de delito não eram as cartas”, resume Barbosa de Melo. “A carta do primeiro ministro nada tinha a ver com o corpo de delito; poderiam ser as notícias dos jornais. Deveriam ter apreendido as notícias dos jornais”. “Era uma quesília entre poderes soberanos” e impunha-se uma “atitude de prudência da Assembleia da República, no sentido de preservar o orgão de soberania”. Que orgãos soberanos era esses? “Ah, isso não lhe vou dizer. Mas quem não o entender, não respeita a lógica profunda da democracia”. E qual é ela?, perguntou o jornalista. “Os orgãos de soberania não são portas abertas para tudo”, respondeu Barbosa de Melo.

PERGUNTA 8:
Sabia que Cavaco Silva chegou a ser ouvido no DIAP por causa disso tudo?


E que veio dizer que não tinha tido intenção de ofender, mas que essa história do jornalista se ter feito passar por agente da Polícia Judiciária, que fora algo que ouvira a sua mulher contar... E que ele... repetiu... assim... só por dizer... Para pessoa responsável não está mal, pois não...?

PERGUNTA 9:
Sabia que o Ministério Público não quis acusar o ex-primeiro-ministro de ter caluniado o jornalista? E que isso obrigou o jornalista a ir a tribunal acusar Cavaco Silva?

PERGUNTA 10:
Sabia que, só porque se tratava de um processo envolvendo Cavaco Silva, a Justiça nacional se baralhou, contradisse-se e acabou por fazer prescrever o processo? Sabia que foi esse processo a Cavaco Silva que permitiu MOSTRAR QUE HAVIA, durante oito anos, de um ALÇAPAO LEGAL que permitia a prescrição de processos?

PERGUNTA 11:
E sabia que a forma como os juízes do Supremo Tribunal de Justiça aceitaram fazer prescrever o processo de Cavaco Silva, obrigou ao arquivo de milhares de processos, muitos deles relacionados com acusacoes de crime económico?






Não sabia, mas pode vir a saber mais... neste blogue




Notas
[1] “Cavaco exige direito à privacidade”, ‘Aurea Sampaio, Público,. 6/1/1995
[2] “Cavaco indigna-se”, João Pedro Henriques, Diário de Notícias, 6/1/1995
[3] “Director do Expresso garante comportamento exemplar, Capital, 6/1/1995
[4] O exame de Marcelo Rebelo de Sousa, Diário de Notícias, 9/1/1995
[5] Autobiografia Política II”, Aníbal Cavaco Silva

5 Comments:

Blogger Arrebenta said...

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (10ª Parte) - "Aborto e Casamento "Gay"

(Continuação)

K.R.A. – Professor, qual a sua posição sobre um tema candente da sociedade actual: a Interrupção Voluntária da Gravidez?

C.S. – Olhe, minha senhora, isso é matéria que compete à Assembleia Nacional legislar. Suponho que aquilo que a Assembleia Nacional legislar irá ser depois enviado ao Presidente da República, que, a seu tempo tomará a posição que julgar mais adequada... Se me perguntar a minha posição pessoal, para além de candidato à Presidência da República, posso dizer-lhe que a Assembleia Nacional está no seu direito constitucional de definir o quadro legal dessa situação, mas, repito, do meu ponto de vista, quanto a abortos, deixe-me que lhe diga…, pessoalmente…, acho que os abortos devem ser todos feitos... , como até agora..., para lá da fronteira portuguesa, ou, se quiser..., para lá de Badajoz…

K.R.A. – Ou para quem tenha triunfado na Economia de Sucesso, para lá de Londres...

C.S. –Isso, isso!... Londres, ou mesmo Oxford, onde eu fiz os meus estudos (risos).

K.R.A. – Suponho que quanto ao Casamento Gay, a sua posição seja idêntica…

C.S. – Olhe, para ser sincero, isso é um assunto que deixo à consideração da minha esposa. Sempre que esse assunto surge nos órgãos de Comunicação Social… e deixe-me que lhe diga,.. eu sei que a senhora faz parte de um órgão de Comunicação Social… mas a culpa desses assuntos virem repetidamente para primeiro plano são da exclusiva responsabilidade de… eu diria mesmo… há uma certa manipulação dos factos…

K.R.A. – Manipulação como, Professor?...

C.S. – Repare, minha senhora, a maior parte da população portuguesa está preocupada com os seus salários, com o p"u"gresso da Economia, com a saúde e a educação dos seus filhos...

K.R.A. – Pois…

C.S. – … não está preocupada com ir fazer abortos a Badajoz, ou com ir casar-se com homossexuais. A senhora acha normal, se entrevistar um português na rua, e lhe perguntar se ele se vai casar com um homossexual… sim… a senhora acha que ele lhe vai responder o quê?...

K.R.A. – Não lhe perguntei a opinião do homem da rua, Professor, perguntei-lhe a sua posição, como candidato presidencial…

C.S. – Deixe-me repetir-lhe o que já lhe disse: esse é dos assuntos que eu preferiria deixar para a magistratura de influência da minha esposa… Quer antes que eu lhe diga o que a minha esposa costuma dizer sobre esse assunto?...

K.R.A. – Esteja à vontade, Professor…

C.S. – Pois a Drª. Maria Cavaco Silva costuma dizer que isso é dos assuntos mais nojentos de que já ouviu falar, e que, graças a Deus, isso das homossexualidades é uma coisa que só existe em certos países, como a Bélgica, ou a Holanda… minha senhora, nós estamos em Portugal, é aos Portugueses que a minha candidatura se dirige, não aos Belgas ou aos Holandeses…

K.R.A. – ... ou aos Espanhóis…

C.S. – Exactamente, minha senhora, a minha candidatura é supra-partidária, e não se dirige nem distingue sectores específicos da sociedade portuguesa, é, sobretudo, como eu digo no manifesto "As Minhas Ambições para Portugal", uma candidatura que valoriza "a pessoa humana e a solidariedade entre gerações e entre regiões".

(Continua)

http://great-portuguese-disaster.blogspot.com

domingo, dezembro 04, 2005 2:14:00 da manhã  
Blogger Arrebenta said...

Domingo, Dezembro 04, 2005
GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (11ª. PArte) - "OPUS DEI"
(Continuação)

K.R.A. – Professor, gostaria de que falássemos hoje da… "Obra"…

C.S. – Minha senhora, a minha obra está à vista de todos os Portugueses, está descrita na minha auto-biografia, é percorrida todos os dias, pelo cidadão comum!...

K.R.A. – … Professor, tente perceber… Eu gostaria de que falássemos hoje sobre a… Opus Dei.

C.S. – (silêncio) Minha senhora…

K.R.A. – Professor, digamos…, posso começar por lhe perguntar: desde há quanto tempo é que o senhor conhece o General Ramalho Eanes?

C.S. – E eu posso responder-lhe que... (risos) foram as nossas esposas que se conheceram primeiro. Isto é um facto que a maioria dos Portugueses desconhece, mas que eu tenho o maior gosto em revelar aqui: a Drª. Maria Cavaco Silva e a Drª. Manuela Eanes encontraram-se, pela primeira vez, nos Grandes Armazéns do Chiado e no Grandella, onde iam comprar tecidos para chulear em casa. Posso mesmo dizer-lhe que muita da intimidade entre ambas se iniciou, justamente, agarradas ao mesmo rolo de tecido, a pensarem no que é que aquelas mãos de fada poderiam transformar aquela cambraia, aquelas chitas e aqueles "macramés" informes. Era, posso mesmo dizer-lhe, o equivalente ao Choque Tecnológico da altura... (risos). E mal sabiam elas, que, muito brevemente, viriam a ser, uma, a Primeira-Dama de Portugal; a outra, a esposa do Primeiro-Ministro (risos).

K.R.A. – Como o Professor se deve lembrar, o General Ramalho Eanes é a cabeça da sua Comissão de Honra. Ele acabou por receber um grau académico conferido por uma universidade espanhola atida à Opus Dei, a Universidade de Navarra, e muito recentemente, esteve no Museu de Arte Contemporânea, de Serralves, numa sessão evocativa do Bem-aventurado Josemaría, onde "relacionou o pensamento do Bem-aventurado Josemaría com as bases duradouras de uma sociedade a serviço do homem." Uma sociedade, que, do ponto de vista dele, levava a uma consolidação das Nações, através do "ímpeto dos homens que constroem a História"... O Professor não acha estranho que uma figura que assim se expõe, publicamente, com aquilo que é considerado uma SEITA dentro da Igraja Católica Apostólica Romana, subitamente apareça, na cena pública portuguesa, como o seu apoiante número 1?...

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Professor, queria apenas que me esclarecesse se tem conhecimento das conotações entre Ramalho Eanes e esta Sociedade Secreta, que, passo a citar, "actua ocultamente, com um máximo de opacidade nos seus assuntos", como reconheceu o Tribunal Federal Suíço, com sede em Lausanne".... O Professor não receia que o seu tão referido silêncio se coadune, justamente, com esta intervenção OPACA, mas persistente, na sociedade, tão persistente que só cessa quando alcança os seus objectivos?...

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Professor…

C.S. – Peço-lhe desculpa… dá-me licença para que faça um pequena chamada através do meu telemóvel?...

K.R.A. – Com certeza, Professor, mas relembro-lhe que estamos, em directo, perante vários milhões de Portugueses…

C.S. – (murmura umas quantas palavras ao telemóvel e desliga)

K.R.A. – E, Professor?…

C.S. – (pausa)… minha senhora, não estou aconselhado a pronunciar-me mais sobre esse assunto…

K.R.A. – Voltemos então à nossa pergunta. O Professor disse que o vosso relacionamento mais íntimo começou através das respectivas esposas, num armazém de bainhas e tecidos, entretanto, já malogradamente ardido…

C.S. – Exactamente, elas são duas senhoras muito habilidosas de mãos, aliás, julgo já lhe ter dito que a minha esposa... é ela mesma que confecciona os seus próprios vestidos..., aliás..., ela até tinha uma costureira que imitava os modelos que ela via, em Paris… A senhora já imaginou quanto não se poupava, em Portugal, com a minha esposa a reproduzir, cá, os modelos caríssimos, que via no Faubourg Saint-Honoré, ou na Avenue Montaigne?...

K.R.A. – Portanto, o vosso relacionamento, digamos, mais íntimo, vem por via feminina?...

C.S. – Sim, quer eu, quer o General Ramalho Eanes, pertencemos a uma Associação dos Casais de Nossa Senhora do Rosário…

K.R.A. – … que consiste em?...

C.S. – Trata-se de uma associação de casais bem formados, capazes de rir, sofrer, de amar, de… enfim… criar, em conjunto, uma "piedade sólida e activa, sobressair no estudo, sentir firmes desejos de apostolado profissional", e poder levar os outros a formarem aquilo, que, atrever-me-ia a afirmá-lo…, seja… "uma elite tecnocrática"…, capaz de conduzir Portugal aos caminhos da Confiança, do Progresso e Economia de Sucesso.

K.R.A. – O Professor sabe que a Opus Dei foi, recentemente, humilhada publicamente, ao ser considerada pelo Parlamento Belga uma organização sectária, a par da Igreja de Cientologia, das Testemunhas de Jeová, e da Igreja Universal do Reino de Deus…

C.S. – Desconhecia, minha senhora... Como sabe, evito ler jornais, para além do "Financial Times"… Mas deixe-me que lhe diga: já aqui falámos da Bélgica, e a Bélgica não é um exemplo a seguir, já que é um Estado que também apoia várias coisas… enfim… contra a Natureza, como os tais casamentos de homens invertidos, mulheres que se prostituem, e tantas outras coisas que, Deus me perdoe, prefiro continuar a ignorar…O mais que lhe posso dizer é que, se for eleito, como espero, não desenvolverei em Portugal um modelo como o belga.

K.R.A. – Em contrapartida, o Professor considera normal que o General Ramalho Eanes tenha proferido, perante uma sala cheia, palavras de louvor a Balaguer, como as seguintes: "Se não desejasse ele também o impossível, se não fosse insaciável a sua sede de perfeição absoluta, se não quisesse estar com o Pai, bem servindo os homens, como poderia ele ousar, ou melhor, atrever-se, à originalidade desafiante da sua pregação"?... O Professor repita ao homem da rua este discurso, e pergunte-lhe o que ele pensa dele…

C.S. – Minha senhora… desconhecia essas palavras…

K.R.A. – Pois essas palavras estão presentes, e acessíveis, para quem as queira ler, num "site" oficial da … enfim… da "OBRA".

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Com certeza não desconhece que, nos Anos 70, após o gigantesco escândalo da falência do Banco Ambrosiano, intimamente ligado ao Instituto das Obras Religiosas, o Banco Central do Vaticano, que, consta, entre outras instituições, financiava directamente o Partido Italiano da Democracia Cristã e o sindicato polaco "Solidariedade", do aparecimento de um seus directores, misteriosamente enforcado, em Londres, numa das pontes do Tamisa, da fuga do Cardeal Marcinkus, Presidente do Instituto das Obras Religiosas, para a inviolabilidade diplomática e religiosa do Estado do Vaticano, do espantoso escândalo, que foi a descoberta das ramificações entre o Banco Central da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e a Loja Maçónica P2, a Máfia e a "Cosa Nostra", entre outros… não desconhece que, depois de tudo isto, que já não era pouco, a Opus Dei, sociedade de banqueiros e gente difusa da Alta Finança, foi chamada a intervir financeiramente, de modo a que o Vaticano pudesse não entrar numa situação de bancarrota técnica…

C.S. – Sim, minha senhora, eu estava a acabar o meu doutoramento em Oxford, mas não liguei muito ao assunto, desculpe que lhe diga, os Órgãos de Comunicação Social… enfim… são muito dados a certos exageros…

K.R.A. – …exageros que vão ao ponto de afirmar que o custo desta injecção de capitais, por parte da ultra-conservadora Opus Dei, foi a liquidação sumária do recém-eleito Cardeal de Veneza, o Papa João Paulo I, e a sua imediata substituição por um Cardeal polaco, o candidato da OBRA, o polaco Karol Woytila, por sua vez, a face visível de um poder ainda mais oculto e assumidamente Opus Dei, o Cardeal alemão, Ratzinguer…

C.S. – … Uma pessoa muito interessante e bondosa, o nosso Papa Bento XVI, que, posso revelar-lhe em primeira mão, constituirá a minha primeira visita oficial e de Estado, quando, como espero, seja eleito Presidente da República, em Janeiro de 2006. Posso dizer-lhe que foi a coisa que eu imediatamente prometi à minha esposa, a Drª. Maria Cavaco Silva…

K.R.A. – Não o espanta que a canonização de Escrivá Balaguer tenha sido a mais rápida da História da Igreja, assente num milagre que, supostamente, teria feito, graças à cura miraculosa de cancro da freira Concepcion Boullón Rubio, prima de um ministro de Franco ligado ao Opus Dei, aliás, um dos 12 ministros Opus Dei, do derradeiro governo de Franco, que contava com 17 membros?...

C.S. – Minha senhora, o reconhecimento das boas pessoas não me espanta…

K.R.A. – … um homem colérico e rancoroso, o Santo dos Muito Ricos, cuja estátua, espante-se, Professor, já foi discretamente colocada, ao lado de homens que distinguiram pela piedade, pelo amor do próximo e dos mais desfavorecidos, na fachada da Basílica de São Pedro, a mesma basílica planeada por Bramante e Miguel Ângelo…

C.S. – Minha senhora, a minha área, como sabe, são as Finanças Públicas, não a Arquitectura…

K.R.A. – O Professor já pensou que a sua táctica de candidato presidencial, ou melhor, a táctica de candidato presidencial das PESSOAS SEM ROSTO, que por detrás de si se ocultam, passa por muitas das estratégicas tipicamente associadas com as manobras de sombra e bastidores da Opus Dei, os candidatos que se movem na penumbra, SEM FACE e no SILÊNCIO, até alcançarem os patamares pretendidos, e poderem depois exercer, de forma exemplar, os seus desígnios?...

C.S. – Minha senhora, os rostos dos meus apoiantes são todos conhecidos, o General Ramalho Eanes, o Dr. Mota Amaral, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da maior Instituição Bancária Portuguesa, o Millennium-BCP…

K.R.A. – Tudo pessoas fortemente afastadas da Opus Dei…

C.S. – Exactamente, minha senhora, e, como eu, supra-partidárias, e longe de serem políticos profissionais…

K.R.A. – Deixe-me interrompê-lo e recordar-lhe que a estratégia da OBRA se move particularmente bem numa sociedade em que os sectores económicos estejam privatizados. Os tecnocratas do Opus Dei são as pedras deste xadrez do poder. Por vezes, os negócios correm mal e há que sacrificar um peão. Nesses casos, a responsabilidade é sempre assumida a título individual e a Opus nunca é beliscada. Isso não lhe faz lembrar o modo como se procedia à substituição dos seus ministros, durante o Período de 1985-1995?... Quando algo corria mal, não era sempre o elo mais fraco que era sacrificado?...

C.S. – Minha senhora, que exagero…

K.R.A. – Pois, Professor, a estranha rivalidade que move Mário Soares contra o General Ramalho Eanes, talvez tenha aqui uma estranha e imprevista explicação, mais pragmática e evidente, se tomarmos como dado que, ao contrário do Rei de Espanha, D. Juan Carlos, o político mais respeitável do Espaço Ibérico, que imediatamente afastou da sua vizinhança o seu ex-preceptor, Opus Dei, o General Ramalho Eanes teria entreaberto as portas para a entrada da Seita no território português…

C.S. – Minha senhora…

K.R.A. – … e mais lhe posso dizer, Professor, que haja já quem tenha entrevisto, nesta disputa do Poder Presidencial, uma tentativa da Opus Dei para, depois de ter eleito um Papa, começar a ganhar terreno no espaço político laico, nomeadamente, nos países da Europa Meridional…Não acha que a recente história dos crucifixos nas paredes das escolas foi uma armadilha muitíssimo bem montada para o atrair para um terreno onde poderá ser rapidamente eliminado?...

C.S. – Minha senhora, que eu saiba…

K.R.A. – Independentemente de o Professor o saber, ou não, pode ser que alguém, por detrás de si, tenha súbita, mas premeditadamente, decidido interromper uma série dinástica de Presidentes da República perto da Linhagem Maçónica, colocando no Poder um Presidente da República não-hostil à Opus Dei.
Mas isso é um assunto que o Professor terá de rapidamente esclarecer com os Portugueses, ou seja, não é comigo, mas entre si e os cidadãos seus eleitores...

(Continua)

domingo, dezembro 04, 2005 4:22:00 da tarde  
Blogger randomblog said...

Conforme já deve saber, vamos lançar no Cavaco Fora de Belém, uma iniciativa que visa recolher documentação das épocas do cavaquismo. Se entender disponibilizar-nos este material que aqui publica, ficariamos gratos que enviasse as digitalizações para o nosso email.
Cumprimentos e bom trabalho.

segunda-feira, dezembro 05, 2005 10:31:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (12ª. e última Parte) - "Que Futuro?..."
(Continuação)

K.R.A. – Professor, apesar de se apresentar como um candidato supra-partidário, continua a ser um Sá-carneirista convicto…

C.S. – Sim, minha senhora, e, agora... que passa mais um malogrado aniversário sobre o seu desaparecimento, do fundo do meu coração, cada vez mais me sinto um Sá-carneiristo convicto...

K.R.A. –Tem consciência, no entanto, de que no período em que dirigiu o P.S.D., foi inúmeras vezes criticado por ter tentado destruir a espinha dorsal do partido desse fundador, afastando-se da ideologia inicial, e, sobretudo, deixando infiltrar-se nele todo o tipo de carreiristas provenientes das mais diversas fontes, sobretudo ex-maoistas, dos quais salientaria, pela negativa, Durão Barroso, Pacheco Pereira, ou, mesmo Zita Seabra...

C.S. – Minha senhora, em todos os períodos de crescimento…

K.R.A. – Sim, Professor, todos o períodos de crescimento são iguais, mas eu atrever-me-ia a dizer-lhe que há uns mais iguais do que outros. Todavia, e repegando na sua afirmação, enquanto Sá-carneirista, continua a acreditar em "Uma Maioria, um Governo, um Presidente"?

C.S. – Do mais fundo do meu coração, minha senhora…

K.R.A. – No entanto, se, como pensa, for eleito, em Janeiro, o Professor terá uma Presidência, mas uma maioria e um governo, em nada coincidentes consigo…

C.S. – Deixe-me discordar do que disse… Deixe-me dizer-lhe que o Eng. Sócrates…

K.R.A. – … que o Eng. Sócrates se atreveu a fazer em 7 ou 8 meses tudo aquilo que nem o próprio Professor conseguiu, nos seus 10 anos de maiorias absolutas…

C.S. – E é por isso que eu próprio tenho, repetidas vezes, afirmado que é muito cedo para julgar o Eng. Sócrates…

K.R.A. – Não estranha que o Povo Português, que se levantou contra si na Ponte, que permanentemente obstruía a sua governação, através das célebres "forças de bloqueio", subitamente se tenha deixado domesticar, e passado a aceitar, bastante passivamente, coisas e situações que teria liminarmente rejeitado, no período 1985-1995?...

C.S. – Isso só vem provar que eu tinha razão, e que já nessa altura não me enganava, e que Portugal poderia estar num outro caminho…

K.R.A. – Eventualmente, na cauda de todos os países entrados neste último alargamento. Deve estar lembrado de que a sua desatenção aos problemas sociais foi tal que o seu sucessor, o Eng. Guterres, teve de dizer que era chegada a altura de esquecer os números e começar a pensar nas pessoas…

C.S. – E a senhora acha bem o que ele fez, ao tentar alargar a base de distribuição de capitais por pessoas sem habilitações, muitas delas que nem sequer sabiam onde ficava Oxford, esbanjando, e provocando um desequlíbrio das Contas Públicas?…

K.R.A. – … o desequilíbrio das Contas Públicas era seu, Professor.., o maior "deficit" do período, apesar dos célebres 3 Orçamentos, o de Estado, o das Privatizações e o dos Fundos Estruturais. Mas vou-lhe perguntar directamente: por que pensa que os Portugueses estão a acatar tão pacificamente as medidas do Eng. Sócrates?...

C.S. – Sinceramente, penso que os Portugueses amadureceram, se habituaram à existência de uma Finança próspera, a que os salários devem ser tributados para ajudar, sempre que necessário, ao equilíbrio das contas públicas…

K.R.A. – A minha explicação é outra, Professor: os Portugueses estão calados, porque, nas expectativas que tiveram, durante o período crítico de 1985-1995, de se tornarem cidadãos europeus de pleno direito, viram, pelo contrário, desaparecer os Fundos Estruturais, diminuir o seu nível de Formação, aumentar desmesuradamente o Custo de Vida, sem consequente aumento de salários, e, em contrapartida, endividarem-se cada vez mais, para poderem ter algo que se assemelhasse ao Sonho Europeu que lhes estava a ser descaradamente roubado…

C.S. – Minha senhora…

K.R.A. – Pois é, Professor, os Portugueses estão calados porque estão crivados de dívidas, apavorados com darem um gesto em falso, e lhes cair imediatamente em cima a garra das penhoras do carro, da casa e de todos os bens que tiveram de adquirir artificialmente, através do recurso a cada vez mais prósperas e usurárias instituições financeiras.
Depois de ter deixado as pessoas com habilitações básicas, de ter dado carta branca para a destruição da Agricultura, das Pescas, da Indústria, depois de ter tornado Portugal num mero quintal de bens importados, o que pensa o Professor fazer, caso seja eleito, para inverter esta tendência?...

C.S. – Minha senhora, a senhora está a ser injusta… Obviamente que Portugal precisa de uma dose de confiança que só a minha eleição lhe poderá dar, mas relembro-lhe que nos encontramos numa sólida situação das instituições financeiras privadas. Só nos primeiros meses deste ano…

K.R.A. – Portanto, o Professor não exclui a hipótese de lançar todos os Portugueses para o Sector Terciário?...

C.S. – Se isso for uma solução, por que não?...

K.R.A. – Ou seja, em última análise, de colocar metade da população defronte de monitores do Millennium-BCP ou do Banco Espírito Santo, a consultar o que a outra metade vai depositando do outro lado do balcão, trocando depois de posição, passando os do monitor para o balcão e os do balcão para o monitor, tudo isto em sistema fechado, e debaixo de um circuito de vídeo-vigilância?...

C.S. – E por que não, minha senhora?... Se vir bem, isso até seria uma matéria de ampla colaboração Presidente/Governo, ou, mesmo, uma abordagem inovadora do Choque Tecnológico!...

K.R.A. – Com os Portugueses já habituados à dureza das medidas de austeridade, não lhe poderia passar pela cabeça que, depois de eleito, e, portanto com dois desaires eleitorais seguidos, Autárquicas e Presidenciais, para a área da actual Maioria, considerar que estavam reunidas as tais "condições excepcionais" para uma dissolução da Assembleia, e convocação de eleições antecipadas, ou seja, submeter os Portugueses às mesmas medidas, mas lideradas por um Governo P.S.D., eventualmente encabeçado por Manuela Ferreira Leite?...

C.S. – Minha senhora, é muito cedo para me pedir que trace aqui esses cenários…

K.R.A. – ... que para alguém que acredita numa Maioria, num Governo e num Presidente, talvez não estivessem assim tão afastados…

C.S. – Minha senhora, cada coisa a seu tempo.

K.R.A. – O Professor confessa-se uma pessoa muito atenta às mudanças mundiais, sobretudo, ao problema da Globalização. Como quer devolver a confiança e melhorar o nível de vida dos Portugueses, sem o rio de ouro dos Fundos Comunitários, e com os Chineses, por exemplo, a produzirem 10 vezes mais e a ganharem 100 menos, para lançarem no mesmo patamar de, enfim… sucata, a que o Professor reduziu a Indústria Portuguesa, entre 1985-1995?...

C.S. – Ora ainda bem que me fala no exemplo Chinês: aí está o exemplo de onde uma nação confiante, com uma direcção forte e um modelo económico bem definido, pode atingir enormes níveis de produtividade a baixo custo…

K.R.A. – Está a falar do trabalho escravo e das contrafacções?...

C.S. – Obviamente que não, minha senhor, a Sociedade Neo-Liberal não é feita de escravos!... Basta… enfim... eu posso dar-lhe um exemplo… quando vou com a minha esposa, a Paris, tirar os modelos das roupas que se vão usar no ano seguinte, e que a costureira dela a ajuda a fazer, é usual ver muitas pessoas bem sucedidas, eu diria mesmo, milionários chineses, a fazerem as suas compras nas lojas mais caras de Paris, como qualquer cidadão ocidental!... A senhora não me vai dizer que os Campos Elísios estão cheios de escravos chineses!...

K.R.A. – Nem o Professor afirmar que são alguns milhares de chineses abastados que podem esconder a subsistência, em níveis mínimos, e com horários de trabalho inaceitáveis em qualquer sociedade pós-iluminista, de largas faixas de milhões de humanos, seus concidadãos…

C.S. – Minha senhora, numa sociedade de cariz liberal, nem todos poderão triunfar por igual, mas devemos dar-nos por satisfeitos de que haja muitos chineses a poderem ir a Milão, Paris, Londres ou Nova Iorque fazer as suas compras!... Os outros, eventualmente, não souberam aproveitar as oportunidades a que tiveram acesso. Posso mesmo adiantar-lhe que, se pudesse, gostaria de ter percentualmente, em Portugal, o mesmo número de milionários de que a China já dispõe…

K.R.A. – Posso assegurar-lhe, embora não disponha dos números exactos, de que poderá ter conseguido algo muito próximo desse objectivo, durante os seus dois mandatos governamentais…

C.S. – Ora aí está, vê como me dá razão, e de como o modelo chinês poderá ser um bom indicador para Portugal recuperar a Confiança, a Força de Vontade e os objectivos que agora lhe faltam!...

K.R.A. – É curioso como o Professor, um neo-liberal, se venha socorrer de um modelo pró-comunista, neo-reformado… aliás, há quem diga que o seu pragmatismo, duro, e de algum modo apolítico, terá muitas vezes levado a que muita da Direita mais radical se tenha revisto em si, ao mesmo tempo que conseguia fascinar uma Esquerda de teor Estalinista mal-disfarçado. Não nos podemos esquecer de que, durante duas maiorias absolutas consecutivas, conseguiu roubar votos, não só ao sector Democrata-Cristão, transformando o C.D.S. no célebre "Partido do Táxi", como também os roubou ao P.S. e mesmo ao ortodoxo P.C.!... 50% de votos não se conseguem, meramente recorrendo ao eleitorado de base social-democrata…

C.S. – E tenho muito orgulho desses feitos…

K.R.A. –… que foram obtidos em tempo de vacas gordas. Relembro ao Professor que só lhe foi permitido governar com conforto depois de o último Governo de Bloco Central, presidido pelo Dr. Mário Soares, ter, com o auxílio de Ernâni Lopes, equilibrar as Contas Públicas. Ou seja, o Professor apareceu, quando as condições eram favoráveis, e tornou-se célebre por desaparecer, sempre que a conjuntura não lhe era de feição, e basta relembrar o seu abandono do Governo da A.D., presidido por Pinto Balsemão – que nunca lho perdoou --, ou já no final da sua 2ª. Maioria Absoluta, quando entregou o Dr. Fernando Nogueira às feras, sabendo que se arriscava, como veio a acontecer, a perder…

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Os Portugueses não deverão temer, com a situação económica, financeira e social do país a degradar-se, de dia para dia, que o Professor, subitamente, e, mais uma vez, abandone o barco?...

C.S. – Minha senhora…

K.R.A. – Resumindo: já ficou aqui patente que o Eng. Sócrates encontrará em si um aliado para prosseguir políticas que não pouparão nada, nem ninguém, para dar o primado do equilíbrio das contas, em detrimento do bem-estar social…

C.S. – Minha senhora, na minha especialidade de Finanças Públicas…

K.R.A. – Já sabemos: na sua especialidade, uma conta certa vale um milhão de pedintes, e dois milhões de desempregados…

C.S. – Ó, minha senhora, por amor de deus…

K.R.A. – ... e que quando os Portugueses já estiverem suficientemente descalçados, endividados e garrotados, e o Eng. Sócrates se tornar num força de bloqueio, poderá abanar a situação partidária, de modo a voltar a chamar a sua área política de base para o Governo…

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Que culturalmente, apenas poderemos esperar de si o regresso de Lá Férias, Ritas Ferros e Vascos Graças Mouras…

C.S. – E de Katia Guerreiro, minha senhora…

K.R.A. –… sim, eventualmente a sua maior conquista pré-eleitoral: ter introduzido no imaginário português o KAPA, uma letra que não pertence ao nosso alfabeto…

C.S. – Também teremos, em 2006, o "Rock in Rio"…

K.R.A. – … mais uma vez, patrocinado pela Opus Dei, que , aliás, tinha uma gigantesca árvore de Natal plantada, o ano transacto, em Belém, e que, este ano, já a conseguiu pôr a desfigurar a excelente Praça do Comércio, e que pelo avançar dessa Seita no nosso quotidiano, para o próximo ano, deverá ter uma árvore de Natal prantada no alto do Castelo de São Jorge!...

C.S. – Minha senhora, por amor de deus…

K.R.A. – O Professor tem consciência de que, apesar de tudo se lhe apresentar como favas contadas, ainda agora a procissão vai no adro?... Lembra-se do que sucedeu em 1986, com a 2ª Volta das Eleições Presidenciais, em que Freitas do Amaral, "QUASE" eleito à 1ª., foi derrotado pelo candidato Mário Soares, que partia em visível desvantagem, e com um desgaste governamental fortíssimo?...

C.S. – O Professor Freitas do Amaral, que tive muito gosto em apoiar…

K.R.A. – … enquanto parecia ir ganhar, e cujas dívidas de campanha deixou de ajudar a pagar, mal ele perdeu… O Professor Freitas do Amaral… O Professor Cavaco Silva não tem medo, por exemplo, do impacto que venha a ter no espectro eleitoral português uma pública declaração de apoio do Professor Freitas do Amaral à candidatura de Mário Soares?... Não poderá começar aí o fim da sua… enfim… euforia pré-presidencial?...

C.S. – (silêncio)

K.R.A. – Professor, esta nossa entrevista já vai longa, a partir de hoje, o Professor irá ter oportunidade de discutir estas e outras ideias, nos sucessivos debates televisivos, em que irá participar, mas antes de nos despedirmos, gostaria de lhe pôr uma última questão: uma coisa que muito intriga os seus vizinhos, e escandaliza, mesmo, as senhoras suas vizinhas da Lapa, é por que é que o Professor, sempre que se desloca à "Pastelaria Carrossel", em de vez de fazer o que qualquer avô normal faria, só dá meio queque ao seu netinho?…

C.S. – (sorri) Minha senhora, é para que, quando ele encontrar a Maria da vida dele, lhe possa estender a outra metade, e dizer: "Toma, Maria, esta metade estava guardada para ti…"

FIM

terça-feira, dezembro 06, 2005 10:37:00 da manhã  
Blogger yieng tschuii said...

és um parvalhão, tentas poluir com desinformação, descontextulizando assuntos, expondo os factos, com o objectivo único de denegrir a imagem de alguém, que pelos vistos te incomoda com as suas virtudes. Uma análise faz-se avaliando um alvo no seu todo e não dessa forma parcial que usas, expondo apenas a pequenês do teu instrumento.

quarta-feira, agosto 13, 2008 10:06:00 da manhã  

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