terça-feira, novembro 22, 2005

A VERDADEIRA QUESTÃO POR SOLVER

Há uma questão à qual Cavaco Silva nunca respondeu e que terá de responder enquanto candidato a Presidente da República.

PERGUNTA: PORQUE DECLAROU QUERER ABANDONAR O PODER EM 1994, ANTES MESMO DO FINAL DO SEU MANDATO? QUAL A VERDADEIRA RAZÃO DO FAMOSO “TABU”?

Todos conhecemos as afirmações feitas pelo próprio Cavaco Silva:


(Autobriografia Política 2)

Ou ainda as seguintes declarações:

(idem)



Mas eram estas as verdadeiras razões para se afastar do poder assim tão rapidamente?

Se assim foi...

PERGUNTA: QUE GARANTIAS TÊM OS PORTUGUESES DE QUE NÃO SE VAI O EVENTUAL PRESIDENTE ENFASTIAR COM O OPORTUNISMO DA VIDA POLÍTICA PORTUGUESA E VOLTAR A CRIAR UMA CRISE POLÍTICA?

PERGUNTA: SERÁ “OPORTUNISMO POLÍTICO” SINÓNIMO DE CORRUPÇÃO? QUE CONHECE CAVACO SILVA SOBRE ESSE “OPORTUNISMO POLÍTICO”?

PERGUNTA: SERÁ QUE O “OPORTUNISMO POLÍTICO” ACABOU? ESTÁ JÁ DOMINADO?

PERGUNTA: OU HAVERÁ OUTRAS HISTÓRIAS QUE ESTÃO POR CONTAR? QUE HISTÓRIAS DEVE O CANDIDATO CAVACO SILVA CONTAR AO POVO PORTUGUÊS? NÃO DEVE O CANDIDATO CONTÁ-LOS AO POVO PORTUGUÊS?

A pose do pensador

(porque será sempre a mesma? Será o afago do queixo o "órgão pensador" do ser humano?)



QUESTOES ACTUAIS

O ex-primeiro ministro Cavaco Silva abandonou o poder em 1994, cansado dos “comportamentos oportunistas e mesquinhos de alguns dirigentes partidários” que lhe provocavam uma “crescente sensação de fastio” (Autobriografia Política 2). Então...


PERGUNTA: O QUE PENSA O CANDIDATO DO FACTO DE UM DEPUTADO DO PSD MADEIRA SER PROPRIETARIO EMPRESA QUE CONTRATOU EM EXCLUSIVO OS ARTISTAS PARA AS FESTAS PAGAS, EM 2004 NA MADEIRA, COM 3,4 MILHOES DE EUROS DE DINHEIROS PUBLICOS. (ver Publico, 22 Nov 2005, pag 12)


PERGUNTA: ACHA QUE ESTA SITUAÇÃO NÃO É DO CONHECIMENTO DO PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL, ALBERTO JOÃO JARDIM? O QUE ACHA QUE ELE DEVIA FAZER?

  • O famoso organizador do LiveAid e Live8 criticou a diplomacia portuguesa por estar a alinhar com a maioria dos Estados Europeus, em nada fazer para acabar com a fome em África. Designadamente, nada fazendo para que a próxima ronda das negociações da Organização Mundial do Comércio acabe com o proteccionismo europeu aos produtos africanos.


    PERGUNTA: O QUE PENSA O CANDIDATO DESTA SITUAÇAO? DEVE PORTUGAL INCENTIVAR A EUROPA A DESARMAR AS SUAS BARREIRAS E AUMENTAR O DESEMPREGO NACIONAL? OU DEVE CONTRIBUIR PARA ACABAR COM A FOME EM AFRICA, ESTIMULANDO A SUA PRODUÇAO, EVENTUALMENTE CONCORRENTE DE PORTUGAL?
  • A Associação Industrial Portuguesa veio a terreiro defender os investimentos na construção de um novo aeroporto da Ota e que “está por demonstrar a vantagem competitiva de Lisboa, resultante da localização da Portela”. Aliás, esta posição surge precisamente quando foi divulgado o estudo dos consultores (NAER), pagos pelo Governo, a dizer que é inelutável o investimento na Ota, porque o aeroporto da Portela entrará em ruptura a partir de 2020. Não é uma coincidência? Em política não há coincidências: Será que têm interesses em comum... Quais poderão ser?


    PERGUNTA: O QUE PENSA O SENHOR CANDIDATO DESTA CONCERTAÇAO DE POSIÇOES? E O QUE PENSA DESTE INVESTIMENTO NA ACTUAL FASE? O QUE PENSA DOS PRESSUPOSTOS DE TRÁFEGO PARA O AEROPORTO DA PORTELA? ESTÃO AS CONTAS FEITAS À MEDIDAS DAS CONCLUSÕES A RETIRAR?

Venham de lá essas respostas, senhor candidato...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Editorial - O "PAI" DO ELEITORALISTO E "MÃE" DO MONSTRO

Não gostamos de pessoas que dizem ser o que não são. Não gostamos de quem se faz passar por estar acima da mentira, do jogo, da falácia e da demagogia, guindar-se em bicos de pé ao pedestal de salvador da Pátria. No fundo, só para caçar votos.

Em Roma os candidatos vestiam túnicas brancas para mostrar quanto era alva o que lhes ia na alma. Eram cândidos.

Hoje, a túnica romana é dizer que se é técnico. Um técnico que só quer o bem de Portugal. Um técnico de quê?

Cavaco Silva sempre disse que era um técnico e que não gostava da política.

Disse-o quando Sá Carneiro o convidou para ministro das Finanças nos finais dos anos 70. E Cavaco aprovou os programas eleitoralistas de Sá Carneiro que levaram ao desequilíbrio orçamental. Foi um político assustado que se recusou a ir as negociações com o FMI e deixou sozinha a directora do Banco de Portugal, Teodora Cardoso.

Quanto isso aconteceu fugiu para a sua vida privada. Mentira: andou a sabotar o Governo de Pinto Balsemão, a tentar chegar à liderança do partido. E conseguiu-o no famoso congresso da Figueira da Foz de Maio de 1985. Para o povo disse que foi lá por acaso, para fazer rodagem do automóvel. Porque ele era um técnico, pouco preocupado com a política.

Disse-o quando foi candidato a primeiro-ministro nesse mesmo de 1985, nas eleições legislativas provocadas porque rompeu com o Governo PS/PSD. Aliás, mesmo a tempo de beneficiar da política de austeridade levada a cabo por esse Governo. E, durante dez anos, quase tantos de maioria absoluta, desbaratou como qualquer político uma era de ouro como Portugal nunca teve. Os dinheiros da Europa entravam em golfadas e, apesar disso, vendeu a agricultura portuguesa, descapitalizou a Segurança Social, não reformou a Função Pública e acabou a gerir o ciclo político eleitoral em vez de fazer reformas de fundo. Nada fez e deixou a corrupção gangrenar o PSD, a ponto de não a controlar. Fugiu, deixando Fernando Nogueira sozinho. Foi o tabu. Um pesado silêncio sobre o que se passava no país e no partido.

Quando isso aconteceu voltou para a sua vida privada. Isso queria ele, mas o partido obrigou-o a ser candidato a presidente da República. “Quiseste ser político, agora serás humilhado”. E ele foi. Perdeu em Janeiro de 1996 contra Jorge Sampaio. E voltou à sua vida privada. Durante muitos anos.
Passaram dez anos em que voltou a dizer, amiúde, que era apenas técnico. Programou o seu regresso ao milímetro. Escreveu as memórias antes do tempo da velhice. O seu ex-assessor de imprensa Fernando Lima escreveu outro livro. E publicou alguns artigos, sempre dizendo que o autor era um técnico.

E di-lo agora. Mais uma vez, como candidato a presidente da República. Um técnico que tem estado muito presente nas lides políticas. Até quando?

Cavaco Silva é conhecido de todos nós. Será que nos esquecemos já? AMNESTESIA©ANIBAL vai lembrar-lhe alguns episódios. E colocar algumas perguntas ao candidato.



Um famoso almoço

(Autobiografia Política, volume 1, pag50)


PERGUNTA: PORQUE NÃO CONTA CAVACO SILVA O QUE FOI DECIDIDO NESSE ALMOÇO?

Sá Carneiro queria tomar medidas populares. Medidas eleitoralistas. E foram tomadas? O que fez o ministro das Finanças de Sá Carneiro? Demitiu-se? Não. Mas passados vinte anos vem deixar a lama aos pés de Sá Carneiro. Mas ele quer passar incólume. Incólume de quê?

Leia-se o artigo do economista José Silva Lopes sobre essa altura económica:

“A economia portuguesa foi assim atingida por um golpe duplo: por um lado, a subida dos preços do petróleo; por outro lado, a queda da procura das exportações (...). O equilíbrio da balança de pagamentos foi seriamente afectado (...) Face a estas condições a orientação da política económica foi oposta à que se seria de esperar”


Eleições à porta

(A Economia Portuguesa depois do 25 de Abril: 1974/1990)



E como foi que se ganhou essas eleições? Que medidas foram tomadas?


As medidas eleitoralistas

(A Economia Portuguesa depois do 25 de Abril: 1974/1990)


Silva Lopes ainda: “Os défices da balança de transacções correntes saltaram para níveis catastróficos (...) Por causa dos défices, assistiu-se a uma explosão da dívida externa (...). No fim de 1982, a banca internacional perante a crescente procura de novos empréstimos, estava a mostrar-se muito renitente em relação a Portugal. Foi por isso necessário voltar a efectuar vendas de ouro”. Mas não foi suficiente e, na ausência, de um programa de austeridade, o FMI veio em 1984. Cavaco Silva estava no Banco de Portugal, à frente do Departamento de Estatísticas e Estudos Económicos. Devia ter ido às reuniões. Não foi. Deixou a directora Teodora Cardoso sozinha.

PERGUNTA: PORQUE NAO FOI CAVACO SILVA AS REUNIOES COM O FMI E DEIXOU TEODORA CARDOSO SOZINHA?

Passados mais uns anos, no início da década de 90, aí está de novo Cavaco já primeiro-ministro. De novo à beira de eleições de 1991. Tinha uma maioria absoluta desde 1987 e não a queria perder. O que fez ele? Deu mais dinheiro à Função Pública, sempre eram umas centenas de milhares de pessoas, mais famílias:


O pai do "monstro"

(Publico, 21 Nov 2005)


Cavaco Silva parece sacudir a água do capote das Finanças Públicas. Não se atrevam a questionar a sabedoria do professor. Mas nesse caso, senhor professor...

PERGUNTA: PORQUE, PRECISAMENTE NESSA ALTURA, DECIDIU MIGUEL BELEZA ABANDONAR O MINISTÉRIO DAS FINANÇAS DESSE GOVERNO DE CAVACO SILVA?

Quem responde?